terça-feira, 4 de outubro de 2011

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)

"Se você já foi um universitário ou tem um filho na universidade, entende o valor da temida sigla TCC.







TCC é tudo. O resto é nada. Você é nada, uma ameba, um protozoário perto de um TCC.

O Trabalho de Conclusão do Curso é a greve de existir do jovem. Faz o vestibular parecer um feriado.

O TCC é a TPM do Ensino Superior, a cadeira derretida do inferno, a desculpa para não realizar mais nada.

Não se vive com um TCC. A monografia final da graduação é a fita azul que enrola o canudo, é a provação derradeira para emoldurar o diploma, é o que separa o capelo do céu.

Na teoria, a tarefa se exibe fácil. Arrumar um tema, depois juntar material de pesquisa, atender aos conselhos de um professor orientador e, por fim, escrever 60 páginas. O fim nunca se encerra. No momento de pôr as ideias na tela, o último semestre demora mais três e o pânico devora as letras do teclado como um vírus.

O TCC é o Gulag do adolescente, o exílio solar, a solidão noturna. É o bilhete de suicídio prolongado em livro. É o mesmo que receber simultaneamente a notícia de gravidez e esterilidade.

Não se é humano com o TCC. É um crime se divertir, arejar a cabeça, brincar durante o período. A expectativa de solucionar um problema da carreira a partir de um texto acadêmico torna-se o problema. O futuro ganha o sinônimo de PRAZO ESGOTADO. A esperança tem o subtítulo ANOTAR ALGUMA COISA, QUALQUER COISA, POR FAVOR, ME AJUDA. O sujeito não tem mais passado, mas BIBLIOGRAFIA. Não existe lembrança, e sim FONTE.



Muito fácil reconhecer o graduando na rua. Andará vagaroso, vidrado nos cadarços soltos do próprio tênis, rosto maltratado, remela nos olhos, roupas sobrepostas de quem se acordou agora e pegou as primeiras peças pela frente. Demonstrará irritação e uma dificuldade de entender a lógica do idioma. É um poço de culpa, ou porque não dormiu para estudar, ou porque dormiu e não estudou.

Algumas respostas básicas de um universitário redigindo o TCC:

Você namora? – Não posso agora, estou preocupado com o TCC.

Vamos tomar um café no fim de tarde e pôr o papo em dia? – Não dá, tenho que fazer o TCC.

Que tal Green Valley no domingo? – Nem pensar, estou com o TCC parado.

Topa churrasco de noite? – Nunca, não avancei no TCC.

Um cineminha hoje, para descontrair um pouco? – Desculpa, estou atrasado para o meu TCC.

Onde você está? – Tentando achar uma posição confortável para escrever meu TCC.

Você leu a crônica de Carpinejar em Zero Hora? – Não, só leio o que interessa ao meu TCC."


Publicado no jornal Zero Hora



Coluna semanal, p. 2, 27/09/2011


Porto Alegre (RS), Edição N° 16838

http://carpinejar.blogspot.com/2011_09_01_archive.html

Gaúcho...



Agora que o sol começa a aparecer


Vejo o pé de milho faceiro

A Deus agradecer.

Uma fina neblina se forma

E passa a meio monte encobrir.

O jovem poeta se esbalda

De tanto sorrir.

Quer ele voltar

Para sua meditação

Mas a natureza lhe chama

Para continuar a canção.

Minha visão não se cansa

De o belo admirar,

Uns dizem que são meus olhos

Mas não posso acreditar.



Há ao meu redor um excesso de beleza,

Exagero de perfeição.

Cada detalhe organizado

Milimetricamente pensado.

É como se cada coisa que existe

Encaixasse perfeitamente.

Não entendo como alguém resiste

A admitir que Deus esteja presente.

Os átomos nas folhas

Intensamente põe-se a agitar

Confirmando assim

Que o sol está a brilhar.

Como pode tudo isso

Ser fruto do acaso?

Vejo o fungo no tronco seco da mangueira.

Mas chê! Que baita arraso!

A sica de inteso verde

O pessegueiro a repousar.

Se o céu é melhor que Caraá

Então é lá que quero morar.


Escuto o rio

Faceiro escoando.

Escuto a cachoeira

E o canário-terra cantando.

A laranjeira fazendo sombra

E a parreira a brotar.

A romãzeira observa

A ponkan frutificar.

A grama crescendo rápido

Perto da taipa de pedra

E a taquareira do outro lado.

Como é bela essa serra!

A Deus vou louvando.

Meu chimarrão,

Vou tomando.

Lembrando dos amigos

Ao bom Deus vou celebrando.

E de onde vem

Toda essa inspiração?

Do sangue vertido na cruz

Pra me dar a salvação!



Postado por SBKAUER on quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010



Marcadores: Poesias, Vida Cristã

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